Saneamento com referência: Intercâmbio técnico busca melhora no tratamento de esgoto

 

Publicado em: 14/07/2026 15:06 | Fonte/Agência: Redação Orcispar: Gilson Aguiar

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O desenvolvimento sustentável e a busca constante por excelência no tratamento de efluentes mobilizaram um importante intercâmbio técnico no último dia 9 de julho. O superintendente e diretor do Samae de Abatiá, Willian Custódio Nogueira, realizou uma visita imersiva às Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) de Sarandi. O objetivo principal do encontro foi conhecer de perto os modelos operacionais das ETEs Norte e França de Sarandi, unidades que hoje se posicionam como referências de eficiência e automação no Paraná, servindo de matriz conceitual para o planejamento que se pretende implantar no município de Abatiá.

A comitiva foi recepcionada por especialistas que dominam a cadeia técnica e laboratorial da região. A apresentação detalhada das experiências e o direcionamento operacional ficaram a cargo de de Kamila Valério, chefe da Divisão de Laboratório e Controle de Qualidade da autarquia Águas de Sarandi, acompanhada de engenheiro do Cispar, assegurando o alinhamento técnico quanto aos rigorosos padrões de monitoramento exigidos.

Importante ressaltar a gestão responsável e o apoio de César Foss, diretor das Águas de Sarandi, que franqueou as ETEs para a vista e disponibilizou o trabalho Kamila Valério para orientar e acompanhar os trabalhos técnicos e compartilhamento de experiência do trabalho nas áreas de tratamento de esgoto da cidade.

Qualidade como Referência: A Engenharia Prática das ETEs de Sarandi

Durante a imersão guiada por Kamila Valério, os gestores puderam verificar a coexistência de diferentes tecnologias de ponta voltadas à purificação e ao manejo ambientalmente correto de efluentes urbanos, divididas em dois complexos principais:

  • ETE França (Unidade Sul): Caracteriza-se como uma planta compacta e totalmente automatizada que adota o processo aeróbio de Lodo Ativado. O fluxo inicia-se no pré-tratamento e equalização com difusores de ar, passando pela sedimentação de sólidos e retenção de gorduras no decantador primário. No tratamento secundário, um reator aeróbio recebe oxigênio injetado por sopradores para que micro-organismos consumam a matéria orgânica. Após a clarificação final no decantador secundário, o efluente tratado é devolvido com alto índice de pureza ao Ribeirão Pinguim, enquanto o lodo excedente é concentrado e direcionado para tratamento de secagem.

  • ETE Norte: Modelo que opera com processos anaeróbios integrados a lagoas biológicas, potencializado pela recente implementação do equipamento automatizado PTRAT. Esta tecnologia realiza o peneiramento fino (aberturas milimétricas), desarenação mecânica helicoidal e remoção de gorduras antes de distribuir o fluxo para quatro reatores anaeróbios de fluxo ascendente (UASB). Neles, bactérias digerem a matéria orgânica sem oxigênio através de um separador trifásico. O efluente final ainda passa por duas lagoas facultativas em série antes do deságue seguro no Ribeirão Sarandi, e o lodo gerado é estabilizado com cal e destinado de forma sustentável para uso agrícola ou aterro licenciado.

Educação e Orientação: A Essência da Regulação Eficaz

Mais do que uma demonstração de infraestrutura e engenharia sanitária, a essência desta visita técnica residiu na consolidação de uma cultura voltada à eficiência do serviço público por meio da governança intermunicipal. O encontro evidenciou o papel vital do Cispar em transferir tecnologia, aproximar autarquias e instrumentalizar os municípios parceiros com conhecimento prático e suporte de engenharia para gerar serviços de alta qualidade.

Paralelamente, o encontro ressaltou a relevância do Orcispar como o órgão regulador e fiscalizador desse ecossistema. A presença e a diretriz do regulador atuam não sob uma lógica puramente punitiva, mas sim por meio de uma ação pedagógica, educativa e orientadora. O Orcispar estabelece as balizas técnicas, orienta as melhores práticas de gestão e educa os prestadores para que os investimentos estruturais se convertam em entregas reais, transparentes e perenes.

Essa sinergia garante que a regulação técnica resguarde a segurança jurídica das autarquias locais, impulsionando a melhoria contínua dos processos. Afinal, como demonstrado no intercâmbio entre Sarandi e Abatiá, quando a qualidade é adotada como referência e a orientação educativa molda a fiscalização, quem ganha é o cidadão, que passa a contar com um saneamento seguro, transparente e vital para a saúde e valorização de sua comunidade.