Perigo invisível sob nossos pés: evento debaterá regulação, tecnologia e o futuro das águas subterrâneas

 

Publicado em: 12/08/2026 12:03 | Fonte/Agência: Redação Orcispar: Gilson Aguiar

Whatsapp

 

Perigo invisível sob nossos pés: evento debaterá regulação, tecnologia e o futuro das águas subterrâneas

Águas subterrâneas é garantia para as futuras gerações

Encontro marcado para 10 de setembro reunirá gestores públicos, engenheiros e especialistas em saneamento para discutir a proliferação de poços irregulares, a urgência de inclusão do tema no Plano Diretor e as mais avançadas técnicas de manutenção e preservação de aquíferos.

Invisíveis aos olhos da população, as águas subterrâneas representam uma das reservas estratégicas mais valiosas do Paraná. No entanto, a exploração desenfreada e sem controle técnico tem acendido um alerta vermelho na gestão hídrica do estado. O problema, que se repete em dezenas de municípios paranaenses, ganha contornos críticos em cidades de grande porte, Maringá é um exemplo, onde a presença de poços tubulares clandestinos ou mal conservados ameaça a qualidade dos aquíferos e a segurança da saúde pública.

Para enfrentar esse desafio e apresentar soluções de alta performance técnica, será realizado no dia 10 de setembro um evento técnico de grande relevância estadual. O encontro será voltado exclusivamente a gestores municipais, engenheiros, técnicos de saneamento e dirigentes de autarquias municipais e SAMAEs.

Poços clandestinos e o risco aos aquíferos

A perfuração de poços tubulares sem a devida outorga e sem rigor normativo não é apenas uma infração ambiental; é uma ameaça direta à qualidade da água que abastece as futuras gerações. Segundo o especialista e palestrante do evento, Herman Vargas, a proliferação de poços irregulares é um fenômeno recorrente e alarmante no Paraná.

"Quando um poço é perfurado ou mantido sem os critérios técnicos adequados, ele se transforma em uma via direta de contaminação para o lençol freático e para os aquíferos profundos. Um único poço mal construído ou abandonado pode comprometer a água de toda uma região", alerta Vargas.

Diante dessa realidade, um dos pilares centrais do debate será a necessidade urgente de integrar a gestão das águas subterrâneas aos Planos Diretores dos municípios. A proposta é que as cidades passem a mapear, regulamentar e fiscalizar o uso do subsolo com o mesmo rigor dedicado ao planejamento urbano de superfície.

Tecnologia e manutenção: da inspeção à segurança operacional

Se por um lado o evento expõe as vulnerabilidades da gestão atual, por outro ele se posiciona como um grande ecossistema de soluções tecnológicas e boas práticas operacionais.

Durante a programação, os participantes terão acesso às mais recentes inovações do mercado para o uso adequado, eficiente e responsável das águas de subsolo. O foco estará na transição da gestão reativa — que só age quando o poço colapsa — para uma gestão preventiva e preditiva.

A pauta do evento abordará minuciosamente:

  • Diagnóstico e Inspeção: Tecnologias de perfilagem óptica e filmagem subaquática para avaliar a integridade estrutural dos poços.

  • Limpeza e Conservação: Procedimentos químicos e mecânicos para remoção de incrustações e recuperação da vazão original.

  • Monitoramento Contínuo: Ferramentas digitais de telemetria para controle do nível estático, dinâmico e da qualidade da água em tempo real.

  • Manutenção Preventiva e Corretiva: Metodologias para evitar paradas não programadas no abastecimento municipal.

  • Segurança e Conformidade: Protocolos operacionais e sanitários que garantem a continuidade e a potabilidade da água distribuída.

Um compromisso com a eficiência do saneamento municipal

Garantir que a água subterrânea chegue com qualidade e eficiência à população exige conhecimento especializado por parte de quem opera o sistema no dia a dia. Por isso, o evento se consolida como uma oportunidade ímpar de capacitação para as autarquias locais.

Para os dirigentes dos SAMAEs e gestores públicos, o domínio dessas tecnologias traduz-se em redução de custos operacionais, aumento da vida útil dos poços e blindagem jurídica e ambiental perante os órgãos de fiscalização e controle.